Literatura

Livro reúne trabalhos inéditos sobre a história de Minas Gerais

Quem gosta de história deve guardar com carinho os dois volumes da ‘História de Minas Gerais – As Minas setecentistas’, que foi organizado por Maria Efigênia Lage de Resende e Luiz Carlos Vilalta e lançado em 2007. São mais de 1 mil páginas de estudos sobre a sociedade, a política, a administração, a religiosidade, a economia, a escravidão, as artes, as ciências, as técnicas, a educação e a literatura do século 18, a cargo de especialistas de várias universidades e centros de pesquisa do país. Tratava-se do século do ouro e da Inconfidência Mineira, também marcado pela rica inserção de Minas no contexto do Brasil colônia e das relações com Portugal.

O século 19, período abrangido pelos dois volumes do livro, é estudado a partir de sete grandes núcleos. O resultado é uma ampliação e atualização que enriquecem a historiografia mineira. A se destacar ainda o cuidado dos organizadores na escolha dos ensaístas e na definição do estilo dos textos, que permitem aproximação do leitor interessado, mesmo o não especialista. Com isso, ‘A província de Minas’ dá um passo além das obras de divulgação, criando um patamar de alto nível, abrangente, bem- estruturado internamente e perfeitamente legível.

O primeiro volume tem 15 ensaios divididos em três partes. Na primeira, “Território, população e natureza”, os artigos tratam de temas como a expansão dos mineiros para o Leste; os povos em movimento nos sertões, a história ambiental das povoações do São Francisco e as representações cartográficas da província. São textos que articulam, o campo do território com a demografia, sem perder de vista as relações com a natureza. A segunda parte, “Trabalho escravo e trabalho livre”, traz a discussão do escravismo e do trabalho para o século 19, além dos vários movimentos de lutas e resistência. A terceira seção, que fecha o primeiro volume, tem como título “Economia de uma província em transformação”. Os autores analisam a mudança da economia durante o período, estabelecendo os principais ramos de negócio, com trabalhos sobre a dinâmica da pecuária, agricultura e indústria no oitocentos mineiro.

O segundo volume é dividido em quatro seções, com 22 ensaios. A primeira parte, “Política e espaço público”, analisa diversos aspectos da dinâmica da província, da fama de moderação dos chamados “toucinheiros” ao papel da imprensa local e do movimento republicano. A segunda parte, “Educação e cultura”, tem como destaque os ensaios sobre o Caraça e a Escola de Minas de Ouro Preto, padrões da educação provincial, além de cuidadosa pesquisa sobre as bibliotecas, a literatura e o mundo das artes no período. A terceira parte, “Sociedade e cotidiano”, se concentra em temas mais próximos do cidadão comum, como a organização da família, a situação das mulheres (a partir do olhar dos viajantes), os espetáculos itinerantes de circo e teatro e os divertimentos carnavalescos. Na seção que fecha o ‘A província de Minas’, “Saberes e práticas”, os autores se debruçam sobre temas como o desenvolvimento científico e as práticas médicas e curativas mais comuns.

 

Fonte: http://divirta-se.uai.com.br/






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