Quitinha, o mestre dos bonecos de Camanducaia

Quitinha, o mestre dos bonecos de Camanducaia

 

Com a chegada do carnaval, o sul de minas se torna destino de muitos turistas atrás das nossas festas autênticas, divertidas e que agrada á todos os gostos. As cidades esforçam-se para fortalecer a cultura regional com os tradicionais carnavais de rua, e contam com a ajuda dos blocos de carnaval que trazem mais alegria e cor ás ruas da cidade.  
Em Camanducaia não poderia ser diferente, cinco dias de folia embalados pela banda 5ª Avenida com presença confirmada dos blocos de rua, dentre eles o mais tradicional da cidade, o Bloco do Barril, que este ano homenageia um ilustre morador da cidade.
Nascido Crispiniano José de Oliveira, uma homenagem a seu avô, ficou conhecido pelo seu apelido, Quitinha, já que seus amigos achavam seu nome complicado de pronunciar. Camanducaiense de registro e coração era barbeiro de profissão e artista por dom, foi Idealizador e criador dos bonecos gigantes que há décadas encantam e despertam a imaginação de crianças e adultos pelas ruas de Camanducaia na época do carnaval. Ainda jovem, por volta de 1957 fez seu primeiro trabalho, inspirado nos bonecos de Olinda, lugar que sonhava conhecer. Além do talento nato, suas matérias primas eram madeira, papelão, jornal, saco de cimento vazio, arame, pregos, cola de polvilho, e muita imaginação. No começo, as roupas dos bonecos eram feitas com as cortinas da inseparável companheira e esposa Brasilina Guilherme de Oliveira, a dona Juju, que acostumara a dividir os espaços da casa com os bonecos. 
Ajudado por seus inseparáveis amigos Chapi, Fernando e Ivan, e mais tarde o Pina, fazia suas criações custeadas do próprio bolso e mesmo tendo recebido ofertas de compra dos bonecos nunca vendeu nenhum, talvez porque não nos desfazemos do que amamos, e os bonecos eram realmente sua paixão, comparada talvez somente ao amor pelo carnaval e sua família. 
Com expressões engraçadas e roupas coloridas, no inicio fazia os bonecos com a cara de pessoas conhecidas da cidade. “Era a mesma coisa de ver a pessoa” lembra o amigo Pedro. As pessoas disputavam pela oportunidade de carregar os bonecos pelas ruas, afinal, tinha-se visão privilegiada para se ver o brilho nos olhos das pessoas quando eles passavam. 
Quitinha foi um dos fundadores do carnaval de Camanducaia, chamado na época de “Camandu-caia na folia”, não seria então difícil que a história dele se cruzasse com a história do Bloco do Barril. Em 1991 com a ideia de montar um Bloco, o amigo Glaucus decidiu fundar o Barril e junto com Pedro, que já pensava em servir chopp para os foliões, procuraram o amigo Quitinha, que já estava produzindo uma grande remessa de bonecos para o carnaval daquele ano, e pediram que ele fizesse um barril para desfilar na frente do bloco, ao qual foram atendidos prontamente. Motivo de orgulho até hoje por terem o primeiro símbolo do bloco feito pelas mãos do Mestre dos bonecos.
Porém, o céu recruta sempre os melhores para reforçar o time divino, e por uma daquelas coincidências que o destino adora nos impor, ele partiu, exatamente no dia que mais amava na vida, o Carnaval. Deixou esposa e duas filhas, Roberta e Palmyra, além dos filhos de criação, os bonecos! 
Palmyra lembra emocionado do pai, “sermos honestos e nunca desistir, foi o que sempre nos ensinou”. A herdeira do dom e ajudante do pai está terminando um trabalho que ele deixou incompleto e que pretende por na rua neste carnaval, e garante manter a tradição do pai de alegrar ainda mais o carnaval de Camanducaia, zelando pelos bonecos que ele deixou e fazendo ela mesma os seus.  
Na época mais alegre e divertida do ano, não são poucas as histórias que marcam as pessoas, No entanto, poucas pessoas são capazes de fazerem histórias e marcarem para sempre as outras, dentre elas com certeza está o saudoso Mestre dos bonecos, o Quitinha.

Quitinha, o mestre dos bonecos de

Camanducaia

Por Rhander Rosa

Com a chegada do carnaval, o sul de minas se torna destino de muitos turistas atrás das nossas festas autênticas, divertidas e que agrada á todos os gostos. As cidades esforçam-se para fortalecer a cultura regional com os tradicionais carnavais de rua, e contam com a ajuda dos blocos de carnaval que trazem mais alegria e cor ás ruas da cidade.  Em Camanducaia não poderia ser diferente, cinco dias de folia embalados pela banda 5ª Avenida com presença confirmada dos blocos de rua, dentre eles o mais tradicional da cidade, o Bloco do Barril, que este ano homenageia um ilustre morador da cidade.Nascido Crispiniano José de Oliveira, uma homenagem a seu avô, ficou conhecido pelo seu apelido, Quitinha, já que seus amigos achavam seu nome complicado de pronunciar. Camanducaiense de registro e coração era barbeiro de profissão e artista por dom, foi Idealizador e criador dos bonecos gigantes que há décadas encantam e despertam a imaginação de crianças e adultos pelas ruas de Camanducaia na época do carnaval. Ainda jovem, por volta de 1957 fez seu primeiro trabalho, inspirado nos bonecos de Olinda, lugar que sonhava conhecer. Além do talento nato, suas matérias primas eram madeira, papelão, jornal, saco de cimento vazio, arame, pregos, cola de polvilho, e muita imaginação. No começo, as roupas dos bonecos eram feitas com as cortinas da inseparável companheira e esposa Brasilina Guilherme de Oliveira, a dona Juju, que acostumara a dividir os espaços da casa com os bonecos. Ajudado por seus inseparáveis amigos Chapi, Fernando e Ivan, e mais tarde o Pina, fazia suas criações custeadas do próprio bolso e mesmo tendo recebido ofertas de compra dos bonecos nunca vendeu nenhum, talvez porque não nos desfazemos do que amamos, e os bonecos eram realmente sua paixão, comparada talvez somente ao amor pelo carnaval e sua família. Com expressões engraçadas e roupas coloridas, no inicio fazia os bonecos com a cara de pessoas conhecidas da cidade. “Era a mesma coisa de ver a pessoa” lembra o amigo Pedro. As pessoas disputavam pela oportunidade de carregar os bonecos pelas ruas, afinal, tinha-se visão privilegiada para se ver o brilho nos olhos das pessoas quando eles passavam. Quitinha foi um dos fundadores do carnaval de Camanducaia, chamado na época de “Camandu-caia na folia”, não seria então difícil que a história dele se cruzasse com a história do Bloco do Barril. Em 1991 com a ideia de montar um Bloco, o amigo Glaucus decidiu fundar o Barril e junto com Pedro, que já pensava em servir chopp para os foliões, procuraram o amigo Quitinha, que já estava produzindo uma grande remessa de bonecos para o carnaval daquele ano, e pediram que ele fizesse um barril para desfilar na frente do bloco, ao qual foram atendidos prontamente. Motivo de orgulho até hoje por terem o primeiro símbolo do bloco feito pelas mãos do Mestre dos bonecos.Porém, o céu recruta sempre os melhores para reforçar o time divino, e por uma daquelas coincidências que o destino adora nos impor, ele partiu, exatamente no dia que mais amava na vida, o Carnaval. Deixou esposa e duas filhas, Roberta e Palmyra, além dos filhos de criação, os bonecos! Palmyra lembra emocionado do pai, “sermos honestos e nunca desistir, foi o que sempre nos ensinou”. A herdeira do dom e ajudante do pai está terminando um trabalho que ele deixou incompleto e que pretende por na rua neste carnaval, e garante manter a tradição do pai de alegrar ainda mais o carnaval de Camanducaia, zelando pelos bonecos que ele deixou e fazendo ela mesma os seus.  Na época mais alegre e divertida do ano, não são poucas as histórias que marcam as pessoas, No entanto, poucas pessoas são capazes de fazerem histórias e marcarem para sempre as outras, dentre elas com certeza está o saudoso Mestre dos bonecos, o Quitinha.






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